Meu cachorro tá com um sério problema de coluna: hérnia de disco. E de vez em quando tem crises.
Por isso começou a fazer sessões de acupuntura, pra aplacar a dor.
O médico, leia-se veterinário, o proibiu de subir e descer coisas. Sofás, cadeiras, escada... tudo aqui em casa sofreu mudança por conta dele.
O mais fácil foi a escada. Compramos uma grade e colocamos lá para que ele não conseguisse subir, mas quando uma pessoa tem que passar, afasta e nem sempre lembra de por de volta. Foi o que aconteceu hoje à noite com meu pai.
Quando fui descer pra jantar, meu cachorro estava no quinto degrau olhando para o chão. Sentei à mesa pensativa. Como será que meu cachorro estava se sentindo por não poder mais subir e ficar conosco(eu e meu irmao) aqui em cima? Compartilhei minha preocupação com meu pai:
- O senhor acha que ele entende que a gente colocou a grade ali por causa dele?
- Com certeza! Todo mundo sobe, menos ele.
- Será que ele fica triste?
- Certamente. Por isso ele anda tão atacado.
- Mas será que ele não compreende que é pro bem dele? Por causa da coluna e tal?
Meu pai me olhou cético.
- Não, aí é demais, né?
Quando fui sair da mesa, sem querer, bati meu pé nele, que estava deitado embaixo dela, como sempre.
- Desculpa, Mike!
Ele ficou me olhando.
- Será que ele entende que foi sem querer, pai?
Meu pai tem muita paciência pra responder coisas sobre Mike. E antes que alguém pergunte, não, ele não é veterinário. E não, acho que não sabe do que tá falando. Mas gosto das respostas que ele dá.
- Claro! Ele sabe diferenciar uma agressão de quando é sem querer.
Ele é muito esperto! (Mike, não meu pai. Embora meu pai também seja) E tenho certeza que entende muito mais do que imagino... No mais, é ficar atento para não deixar o sofá livre, do contrário, tenha certeza que ele terá tomado seu lugar.
E não pense que vou tirá-lo de lá. Ele é que é de casa.
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quarta-feira, 29 de outubro de 2014
É Para Seu Bem
Recife, 27 de outubro de 2014.
Mike,
Mike,
Hoje fui com Mateus te levar ao veterinário. Sei que você odeia ir para lá, mas acredite quando digo que fazemos isso para o seu bem. Não sei se você percebeu, mas você está com dois tumores: um na costela e um no tórax. Ambos do lado esquerdo. Sendo assim, te levamos a Dr. Rogério para que ele nos dissesse que eram benignos. A citologia, porém, foi inconclusiva e por isso você precisará passar por um procedimento chamado criocirurgia.
Te adianto que você nos odiará por isso. Mas repito: é para seu bem.
Como todo procedimento cirúrgico, você precisa passar por alguns exames. Dois você já fez hoje mesmo e o último Mateus vai te levar pra fazer na quinta.
Não se preocupe, tudo vai dar certo.
A gente te ama
domingo, 11 de março de 2012
Vai um carinho aí?
Não distribuo carinho aleatoriamente. Não gosto de chamego e paparicado.
Certo dia voltei do trabalho e fui abraçar meu cachorro. Agarrei, dei muitos beijos, cheiros e ficamos abraçados.
Ele recuou e tentou se soltar. Desabafei com meu pai:
- Mike não é carinhoso. Ele não retribui meu carinho.
Meu pai discordou:
- Ele não é carinhoso?! Você é que não é. Aí ele não sabe como reagir quando você tem esses surtos de carinho.
Fiquei passada. Minha mãe interveio:
- Não seja injusto. Mike é a pessoa nessa casa que mais recebe carinho de Bia.
Não soube se ela estava me defendendo ou não.
Certo dia voltei do trabalho e fui abraçar meu cachorro. Agarrei, dei muitos beijos, cheiros e ficamos abraçados.
Ele recuou e tentou se soltar. Desabafei com meu pai:
- Mike não é carinhoso. Ele não retribui meu carinho.
Meu pai discordou:
- Ele não é carinhoso?! Você é que não é. Aí ele não sabe como reagir quando você tem esses surtos de carinho.
Fiquei passada. Minha mãe interveio:
- Não seja injusto. Mike é a pessoa nessa casa que mais recebe carinho de Bia.
Não soube se ela estava me defendendo ou não.
sábado, 12 de março de 2011
Uma noite e nada mais
Há mais ou menos uma semana atrás, deram uma cadelinha pro meu irmão.
Quando eu digo "deram", eu quis dizer "entregaram" mesmo. Colocaram nas mãos dele e disseram "te vira".
De forma alguma poderíamos cuidar dela porque já temos um cachorro. Muito ciumento e territorialista, por sinal. Mas não poderíamos simplesmente deixá-la na rua ou entregá-la para o primeiro que aparecesse.
A levamos pra casa, temporariamente. Só enquanto minha mãe não chegava. Precisávamos ganhar tempo para resolver o que fazer com ela.
A colocamos num tapete, demos água e ração. Ela não comeu. Depois descobrimos que era porque ela era muito novinha ainda e só bebia leite. =P
Não vou negar que me apeguei a ela. Quando você cuida de um ser que depende de você não tem como não se sensibilizar e se apegar a ele. Bom, pelo menos não pra mim. E olhe que não me considero alguém tão sensível assim.
Mas o fato é que me apeguei a ela e quis que ela continuasse conosco, mesmo sabendo das dificuldades que enfrentaríamos com nosso cachorro. Mas fala sério, era impossível.
Quando meus pais chegaram, eu e meu irmão imploramos que pensassem numa solução. Tudo bem que não ficássemos com a cadela, mas tínhamos que arranjar um lar pra ela! E tinha que ser alguém que sabíamos que cuidaria bem dela. Não podíamos fazer como a irresponsável que a jogou nos braços do meu irmão.
Me peguei pensando sobre os limites da maldade do ser humano. Abandonar um ser indefeso sem se preocupar em como ele vai fazer pra se virar. E pensar que tem gente que faz isso com pessoas...
Meu pai a levou pro trabalho no dia seguinte e um dos rapazes que trabalha com ele num instante arrumou um lar pra bichinha. Era um rapaz que morava perto dele e já vinha querendo um cachorrinho há tempos. Ele a levou, com a recomendação de que ela só bebe leite.
Hoje ela está lá, fazendo uma família feliz e recebendo a mesma felicidade em troca.
E eu também estou muito feliz por saber que ela está sendo bem tratada.
=D
Quis compartilhar essa história pra daqui a uns anos, quando vier aqui nesse blog, que estará abandonado, reler essa história e me alegrar com ela. Lembrando da cadelinha fofa que foi minha por uma noite e mesmo por tão pouco me ensinou algo muito importante. O que ela me ensinou só diz respeito a mim e é demais querer que eu compartilhe isso também.
Contentem-se com o que escrevi e com a foto que tirei dela para ficar para a posteridade.
Quando eu digo "deram", eu quis dizer "entregaram" mesmo. Colocaram nas mãos dele e disseram "te vira".
De forma alguma poderíamos cuidar dela porque já temos um cachorro. Muito ciumento e territorialista, por sinal. Mas não poderíamos simplesmente deixá-la na rua ou entregá-la para o primeiro que aparecesse.
A levamos pra casa, temporariamente. Só enquanto minha mãe não chegava. Precisávamos ganhar tempo para resolver o que fazer com ela.
A colocamos num tapete, demos água e ração. Ela não comeu. Depois descobrimos que era porque ela era muito novinha ainda e só bebia leite. =P
Não vou negar que me apeguei a ela. Quando você cuida de um ser que depende de você não tem como não se sensibilizar e se apegar a ele. Bom, pelo menos não pra mim. E olhe que não me considero alguém tão sensível assim.
Mas o fato é que me apeguei a ela e quis que ela continuasse conosco, mesmo sabendo das dificuldades que enfrentaríamos com nosso cachorro. Mas fala sério, era impossível.
Quando meus pais chegaram, eu e meu irmão imploramos que pensassem numa solução. Tudo bem que não ficássemos com a cadela, mas tínhamos que arranjar um lar pra ela! E tinha que ser alguém que sabíamos que cuidaria bem dela. Não podíamos fazer como a irresponsável que a jogou nos braços do meu irmão.
Me peguei pensando sobre os limites da maldade do ser humano. Abandonar um ser indefeso sem se preocupar em como ele vai fazer pra se virar. E pensar que tem gente que faz isso com pessoas...
Meu pai a levou pro trabalho no dia seguinte e um dos rapazes que trabalha com ele num instante arrumou um lar pra bichinha. Era um rapaz que morava perto dele e já vinha querendo um cachorrinho há tempos. Ele a levou, com a recomendação de que ela só bebe leite.
Hoje ela está lá, fazendo uma família feliz e recebendo a mesma felicidade em troca.
E eu também estou muito feliz por saber que ela está sendo bem tratada.
=D
Quis compartilhar essa história pra daqui a uns anos, quando vier aqui nesse blog, que estará abandonado, reler essa história e me alegrar com ela. Lembrando da cadelinha fofa que foi minha por uma noite e mesmo por tão pouco me ensinou algo muito importante. O que ela me ensinou só diz respeito a mim e é demais querer que eu compartilhe isso também.
Contentem-se com o que escrevi e com a foto que tirei dela para ficar para a posteridade.
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