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quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Sobre machismo e outras coisas

"Minha mãe vivia dizendo para não sentar no colo de homem nenhum. Achava tão desnecessário, mas hoje entendo. Ela tinha medo porque eu era apenas uma menina.

Maiorzinha, ainda criança, um garoto da classe me olhou e disse que eu tinha o rosto bonito, mas deveria esticar o cabelo para poder ficar linda.Eu acreditei porque eu era apenas uma criança, oras.

Cresci sendo chamada de morena-clara, morena-do-bundão, nêga-do-bundão, morena-do-pernão. Que eu era negra, mas tinha os traços finos. Que eu iria dar trabalho ao meu pai, que eu deveria saber dançar, que eu precisaria domar o meu cabelo. Nas brincadeiras eu era sempre empregada, secretária ou faxineira. Eu estava sendo discriminada, porque era uma menina negra."


sábado, 11 de fevereiro de 2012

Taxista, crianças e pneu furado.

Ontem fui almoçar numa churarscaria a convite de um fornecedor. Não fomos só os dois, para os curiosos. Eu, ele, um amigo e mais dois, inclusive o taxista que foi nos levar lá. Uma aventura a ida. Achei que fosse morrer. Mentira. Exagero. Mas achei que o carro fosse bater. O cara era meio aloprado no transito. Fico chocada quando vejo gente assim. Completa falta de respeito pela vida do próximo e pela própria vida!

Fui dormir na casa de minha amiga/comadre ontem. Quando cheguei, meu afilhado estava em casa com a avó. Disse que ela podia ir à igreja que eu aguardaria minha amiga com ele. Desastre. O menino viu a avó indo embora e não teve quem o fizesse parar de chorar. Foram os 10 minutos mais longos da minha vida. Ele berrava querendo que fôssemos buscar a avó. Fiquei arrasada.
Fomos à pracinha quando minha amiga chegou. Ele se acalmou. De noite me pediu pra colocar um dvd pra ele. Daqueles que já assistimos 248 vezes. Mas o que ele não me pede chorando que não faço sorrindo?
- Coloca, Bibia!
- Bibia não! Madrinha!
- Coloca, Bibia!
- Não é Bibia! É madrinha!
Me olhou confuso.
- Tu não é Bibia?
Tive que explicar:
- Sou. Mas sou madrinha também. É pra você me chamar de Madrinha Bibia.
Percebi pela cara dele que era pedir demais.
Sem problemas. O ensinei a me pedir a bênção. Fez direitinho. É o que importa.
Hoje de manhã pediu pra vir à minha casa. Não trouxe. O deixei na casa da outra avó. Pareceu contente.

Ao invés de vir pra casa, fui pra praia com meus pais. Ou pelo menos, tentamos. O pneu furou no caminho. Trocamos. Meu pai não nos deixou ajudar muito. Homem acha que sabe tudo, como sempre. Ainda mais quando o assunto é carro. Oferecer ajuda não significa dizer "Sei mais do que você." É só pra ajudar mesmo, poxa! Sentir-se útil! Em vão. Apelei:
- Aceitar minha ajuda não vai te diminuir, pai.
Ele riu. Me deixou fechar o macaco. Ponto pra mim.
Desistimos da praia. Voltamos pra casa.